Como Resolver o Problema dos Búfalos de Rondônia (Amazônia): Soluções Sustentáveis e Viáveis

Como Resolver o Problema dos Búfalos de Rondônia (Amazônia): Soluções Sustentáveis e Viáveis

Os búfalos de Rondônia (também chamados de búfalos da Amazônia) são uma espécie invasora que virou dor de cabeça ecológica. Introduzidos em 1952 numa fazenda experimental, eles se adaptaram ao ambiente alagado sem predadores, multiplicando-se exponencialmente. Há 20 anos eram cerca de 5.000 indivíduos; hoje há dezenas de milhares vagando livres, e estimativas falam em 35 a 50 mil em poucos anos. Essa “explosão” fica evidente numa metáfora: os búfalos são como um diamante em bruto ignorado pelo governo – à custa de milhões em prejuízos, em vez de gerar renda. O ritmo de crescimento é alarmante: sem controle, a população pode dobrar em poucos anos, ameaçando cada vez mais a flora e a fauna locais.

A situação é grave e urgente. Será que gastar bilhões em abates insuficientes resolve? Para entender como chegamos aqui, precisamos desenhar soluções adequadas. Neste artigo, vamos mergulhar na crise dos búfalos de Rondônia e explorar o que deu certo (ou não) no mundo afora – até chegar a uma proposta integrada que realmente pode funcionar.

Origem e crescimento dos búfalos selvagens em Rondônia

Tudo começou na década de 1950, quando 36 búfalos asiáticos foram soltos em uma fazenda experimental em Rondônia como projeto de carne e leite. O projeto fracassou e os búfalos ficaram soltos. Com um ambiente repleto de água, pasto e praticamente sem predadores naturais, sua reprodução virou festa. Na década de 1980 a fazenda foi abandonada, dando início ao boom populacional.

Com 70 anos sem intervenção, a população virou um enxame animal: o rebanho foi multiplicado em 138 vezes. Em relatórios oficiais (antigos), o ICMBio estima cerca de 5 mil búfalos na região, mas especialistas apontam números muito maiores. O agrônomo Cristiano Furtado, que estudou a área, alerta haver “facilmente mais de 35 mil”. Biólogos, como Richard Rasmussen também citam números maiores que os oficiais, que podem chegar nos 50 mil em poucos anos sem ação. A imprecisão nos números reflete o desafio: trilhas alagadas e mata cerrada tornam o monitoramento quase impossível.

Negligência governamental e falta de coordenação

O aumento foi alimentado por negligência governamental. De fato, como Furtado ironiza, há “muito chefe pra pouco índio” na região – ou seja, muitos órgãos (IBAMA, ICMBio, governos federal e estadual) envolvidos, mas ninguém comandando de verdade. Como resultado, búfalos continuam se reproduzindo sem freio, tomando conta de áreas estratégicas de transição entre Amazônia, Pantanal e Cerrado.

Impactos ambientais, sociais e sanitários

Os danos dos búfalos da Amazônia são profundos e variados. Fundamentalmente, eles transformam o ambiente de forma sistemática: cada animal pesa até meia tonelada e, andando em fila indiana, abre trilhas de até 3 metros de largura e 1 metro de profundidade. Essas trilhas viram canais permanentes, drenando pântanos inteiros. Estudos técnicos já apontaram redução de até 48% da superfície aquática em áreas de ocorrência dos búfalos. Com menos água, nascentes secam e charcos desaparecem – uma tragédia ecológica.

Degradação do solo e morte florestal

Além da água, o solo e a vegetação sofrem impactos devastadores. A lama compactada pelas patas bubalinas diminui a infiltração de água e sufoca raízes. Em alguns locais, o solo até afundou cerca de 1 metro, expondo raízes e matando árvores. Isso virou um “cemitério de buritis”: florestas de buriti (palmeiras típicas de áreas alagadas) foram dizimadas pelos búfalos. Em 2024, um incêndio de proporções inéditas queimou solo exposto na região – algo anômalo, apenas explicado pelo grau de ressecamento causado pelos búfalos.

Buritis (palmeiras nativas) mortos pela ação dos búfalos em Rondônia
Buritis (palmeiras nativas) mortos pela ação dos búfalos em Rondônia

Pressão sobre a fauna nativa e risco sanitário

A fauna nativa também paga um preço significativo. Mamíferos como o cervo-do-pantanal (espécie vulnerável) foram confinados a bolsões cada vez menores. Observações com drones não mostram mais búfalos e cervos juntos – os búfalos os expulsaram. Aves aquáticas que precisavam de vegetação alagada são 1.140 vezes mais propensas a nidificar em áreas sem búfalos do que onde os búfalos pastam. E como se não bastasse, a presença dos búfalos atrai caçadores furtivos, em busca de troféus.

Além disso, há um sério risco sanitário. Os búfalos invasores nunca foram vacinados contra febre aftosa, tuberculose ou brucelose. Eles vivem soltos e podem transmitir doenças aos rebanhos próximos- colocando em risco a pecuária de Rondônia e até a saúde das populações humanas ribeirinhas. Não há nenhuma barreira biológica entre esses búfalos e o gado doméstico; basta uma aproximação para que o perigo de zoonose dispare.

Em suma, os impactos ambientais, sociais e sanitários são sistêmicos: da terra à água, da flora à fauna, e até na economia das pessoas. Ficar de braços cruzados não é opção viável.

Abate técnico proposto pelo governo e suas limitações

Reconhecendo a gravidade, o ICMBio lançou em dezembro de 2025 um projeto piloto de abate técnico: matar 500 búfalos selvagens em Rondônia, cerca de 10% da população estimada oficialmente. A ação envolve ICMBio (logística), a Universidade de Rondônia (análise sanitária) e uma empresa privada de controle de fauna (execução do abate). Câmeras vão filmar animais selvagens interagindo com as carcaças, e 15% delas terão amostras coletadas em laboratório – tudo para entender melhor o impacto dessa matança.

O raciocínio oficial é claro: a região é inacessível e isolada, sem estradas – só helicópteros. No passado, numa tentativa de captura em 2006, gastou-se R$4.500 por hora de voo e pouquíssimos animais foram capturados (REBIO do Lago do Piratuba). Além disso, a carne dos búfalos não pode ser vendida, pois eles nunca tiveram controle sanitário – logo, não há fonte de receita que compense o custo. Modelos matemáticos indicam que, à medida que a densidade cai, fica cada vez mais caro achar e abater cada animal, tornando a erradicação total “praticamente impossível”.

Falhas estruturais da solução proposta

Esses pontos levantados pelo governo são válidos tecnicamente. No entanto, essa solução tem falhas graves que comprometem seu sucesso. Primeiro, o efeito é muito limitado: abater 500 deixa o rebanho praticamente intacto. Nesse ritmo, o rebanho vai se recompor rapidamente pelas mesmas taxas de reprodução anteriores. Em outras palavras, o suposto “controle” é cíclico e sem fim. O próprio ICMBio admite que não pode erradicar de vez, apenas “conter” – sem prazo de sucesso definido.

Depois, temos questões de custo e sustentabilidade financeira: o plano é apenas piloto, mas custará dezenas de milhões sem gerar receita alguma. Carcaças abandonadas viram lixo ecológico, alimentando urubus e outros necrófagos. Imagine bilhões por ano para manter esse ciclo eterno, enquanto o problema duplicaria se não parasse. Uma tabela técnica ilustra bem a limitação: o abate controlado típico tem viabilidade média, custa em média R$ 50-100 milhões por ano e só derruba uma pequena porcentagem do rebanho, sem nenhum benefício social. Para efeito de comparação, a caça regulada (bem organizada) tem alta viabilidade, gera receita em vez de custo, e reduz 15-25% da população enquanto cria empregos e renda.

Por fim, há objeções éticas e sociais importantes: exterminar animais em massa, apenas para controle e sem aproveitamento algum, pode não ser bem visto pelos nativos da região. Além disso, o abate estatal não envolve a comunidade local; pior, não a beneficia economicamente. Sem a participação de indígenas e ribeirinhos, sobra resistência e desconfiança. O Ministério Público até cobrou plano detalhado para o destino dessas carcaças, sob risco de multa alta. Em suma, a estratégia de abate do governo falha em escala e não mobiliza quem vive na região.

A sugestão de Cristiano Furtado: caça regulamentada como solução

Frente a esse impasse, o agrônomo e guia de caça profissional Cristiano Furtado propõe uma alternativa inspirada na África. Para ele, o rebanho de búfalos é um “diamante em bruto” esperando exploração sustentável. Em vez de custo perpétuo, sua proposta converte isso em renda pública. Furtado resume bem: “Se a gente abrisse a caça, vinha europeu, vinha americano, vinha gente do mundo inteiro caçar búfalo e pagaria 10 mil dólares por cada búfalo“.

A teoria dele é simples: o modelo brasileiro de 1967 baniu toda caça e hoje mostra que proibição só aumenta o prejuízo. Além do declínio das espécies nativas. Diversos países provaram que a caça bem regulada – com cotas científicas e supervisão rigorosa – inverte essa equação. Em vez de só gastar com controle, geraríamos receita contínua que paga pela própria gestão da fauna.

Como seria na prática?

Furtado sugere uma estrutura em que:

  • Turismo cinegético controlado: atrair caçadores internacionais de safári. Eles já pagam caro (US$10–20 mil) por búfalos de troféu em outros países. Com a regulamentação, fariam expedições pagando ao Brasil, como ocorre na África do Sul com búfalos de troféu (Bubalus bubalis).
  • Gestão comunitária com retorno direto: 40–100% da renda da caça seria revertida para comunidades indígenas e tradicionais locais. Esses recursos financiariam escolas, postos de saúde e infraestrutura nas reservas. Em várias áreas do mundo, a população rural apoia a continuidade da caça controlada quando recebe parte dos lucros.
  • Financiamento da conservação: a receita serviria para reforçar a fiscalização anti-caça ilegal, bancar pesquisas científicas e ampliar a proteção de habitat. Com dinheiro em caixa, seria possível treinar guardas e instalar câmeras e drones.
  • Redução gradual da população: ao abater preferencialmente machos e fêmeas adultas, reduzem-se as nascimentos ao longo dos anos. Com o plano de manejo certo, o rebanho cairia sem precisar de abates em massa (e bilhões em dinheiro público).

Esse modelo geraria milhões anuais. Furtado estima US$ 10 mil por búfalo de troféu. Com quotas de 100–200 animais ao ano, teríamos entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões disponíveis por ano para reinvestir. Essa é verba para custear operações, monitoramento científico e ainda sobrar para as comunidades. Ou seja, criaria incentivo econômico para todos protegerem a fauna e flora local (porque agora os búfalos pagariam em vez de só custar).

Caçada de Búfalo asiático ou búfalo-d'água (Bubalus bubalis) na Província de Córdoba, na Argentina
Caçada de Búfalo asiático ou búfalo-d’água (Bubalus bubalis) na Província de Córdoba, na Argentina

Cristiano Furtado não está sozinho: inúmeros especialistas destacam que só a gestão participativa vence. O biólogo Richard Rasmussen lembra que os búfalos estão destruindo a Rebio Guaporé e afirma “tá cheio de cara querendo caçar esses bichos. Por que não? Por que não?”. Esse argumento ressoa com ribeirinhos e indígenas: se vamos controlar os animais, que pelo menos isso traga benefícios sociais, não apenas gasto público.

Modelos internacionais de caça regulamentada e lições do mundo

Para defender a caça controlada, Furtado e outros especialistas apontam exemplos bem-sucedidos na África e em outros lugares. Vejamos alguns casos:

Namíbia:

Desde os anos 90, criou 86 conservancies comunitárias onde moradores gerenciam a fauna. Com cotas anuais controladas de caça, a receita anual chega a N$ 400 milhões (~US$ 25 mi). Dessas, 55% vêm da caça de elefantes, mas há também búfalos e outros animais de Big Five. O resultado foi impressionante: o rinoceronte-negro passou de 2.400 em 1995 para mais de 6.000 hoje, e o leão-do-deserto de 25 para 150. Além disso, 763 guardas comunitários foram contratados para proteger a fauna, com ganhos diretos das caças. Em pesquisas, 91% dos moradores rurais aprovam esse sistema de caça regulada. Ou seja, criou-se um círculo virtuoso: o animal virou fonte de renda e assim vale a pena protegê-lo.

Zimbábue (CAMPFIRE):

Programa comunitário iniciado em 1989, envolvendo 777 mil pessoas em 50.000 km². De 1994 a 2012, gerou US$ 39 mi em receitas para as comunidades locais. Os elefantes ali saltaram de 48 mil (em 1984) para 67 mil atualmente, e o manejo expandiu áreas protegidas de 12% para 33% do país. Em lugares como a conservancy de Bubye Valley, leões reintroduzidos voltaram a crescer com manejo adequado à caça. Em resumo: quando comunidades veem o animal como ativo econômico, elas tomam conta dele – ficando de olhos abertos contra caçadores ilegais. Caçar alguns indivíduos (para renda) permitiu que a população geral subisse. O paradoxo derruba o mito de que “caça = extinção”: com regras justas, ambas prosperam.

Botsuana:

Até 2014 o país proibia a caça de elefantes (pressão de ativistas). Mas logo viu desastre: ataques a plantações subiram 50% e fazendeiros passaram a envenenar leões em retaliação. Sem caça, as comunidades perderam seu ganha-pão. Reconhecendo o erro, em 2019 Botsuana mudou de curso: reinstaurou cotas anuais de até 400 elefantes por ano. O presidente argumenta que a caça regulada é “método importante para manter os animais sob controle” e sustentar a economia rural. Em poucas palavras, o país viu que a proibição absoluta não funciona a longo prazo.

Quênia (fracasso do proibicionismo):

Um alerta vermelho. Desde 1977 o Quênia baniu toda caça em nome da conservação. O resultado? Entre 1977 e 2016 a vida selvagem geral do país caiu 68%. Rinocerontes praticamente desapareceram, e a população de leões caiu de 20.000 para apenas 2.000. Sem incentivos financeiros, os locais não defenderam os animais de caçadores ilegais. Passou-se o poder de proteção da fauna de volta ao governo central remoto, facilitando o contrabando de troféus. Em suma, o modelo queniano hoje serve como exemplo do que não fazer.

Esses casos internacionais reforçam a lição: caça regulamentada sob gestão local e científica dá certo; proibição total falha. O Brasil tem o que aprender com isso.

Precedente no Brasil: controle do javali

Vale lembrar: o Brasil já autorizou caça controlada de invasores antes. Desde 2013 o IBAMA permite caçadores registrados abaterem javalis – outra espécie exótica e daninha. Milhares de caçadores-gestores foram registrados e, de 2019 a 2025, mais de 1,4 milhão de javalis foram abatidos, embora a população ainda cresça. Esse programa de javali enfrenta críticas (o excesso de burocracia estatal atrapalha o controle), mas mostra que legalmente é possível usar a caça para manejo. O controle de javali já mostrou que as normas permitem leis especiais estaduais para invasores. Uma lei de Rondônia autorizando caça de búfalos, nos moldes do javali, não seria nada revolucionário: apenas uma extensão lógica do que já temos na prateleira.

Lições de controle de espécies em outros países

Além da África, há experiências globais diversas no manejo de grandes herbívoros:

  • Austrália: lá, uma praga de camelos selvagens (não búfalos, mas exemplo análogo) levou o governo a abater cerca de 10 mil camelos em 2020 para proteger reservas naturais. Funcionou para conter os estragos, mas custou fortunas e provou não ser sustentável: a população reapareceu sem intervenção contínua.
  • Indonésia e Filipinas: nessas ilhas, búfalos d’água (mesma espécie Bubalus bubalis de Rondônia) são invasores tradicionais. O controle por lá combina métodos: caça, captura viva para realocar em fazendas ou zoológicos, e em alguns lugares até safáris cinegéticos. Porém nenhum programa isolado deu conta por décadas sem caça regulamentada. Normalmente, as populações crescem de novo se param as caçadas. Isso reforça que a caça pode (e deve) fazer parte do pacote, não ser tabu.
  • Madagascar: tentativas de controlar populações de lêmures (frutos idênticos de problemas ecológicos) mostram que captura e relocação isoladas não resolvem nada, com menos de 5% de sucesso e custos astronômicos. Estudos do país mostram que a conservação de habitat mais caça de predadores (como o carnívoro fossa) é uma receita bem mais eficaz. A lição é geral: não existe controle de megafauna invasora a longo prazo só com abate esporádico. Todos os casos bem-sucedidos envolvem caça regulada e contínua com compensação às comunidades.

Em resumo, nenhum país avançado conseguiu conter uma praga animal da maneira que o governo Brasileiro pretende fazer. O que deu certo sempre inclui participação local, caça com fins sustentáveis, ou relocação com incentivos. Isso reforça o potencial da proposta de Cristiano Furtado: a solução integrada.

Avaliação técnica comparativa dos métodos de controle

Comparar os métodos ajuda a visualizar custos e benefícios. Uma análise técnica brasileira ilustra bem isso:

MétodoViabilidadeCusto EstimadoEficácia PopulacionalBenefício Social
Abate Controlado (Proposta do Governo)BaixaR$ 50-100M/anoRedução de 500 búfalos, crescimento continuaNenhum
Caça Regulamentada (Furtado e Rasmussen)Alta (se bem regulada)Negativo (gera receita)15-25% redução, sustentávelSignificativo (emprego, renda)
Captura e Retirada VivaMuito BaixaR$ 200-500M (helicópteros 24/7)5-10% máximoNenhum
EsterilizaçãoBaixíssimaR$ 1-2B (longo prazo)Nenhuma reduçãoNenhum
Transferência/RealocaçãoMuito BaixaR$ 500M-1BImpossível (sem destino viável)Nenhum
A caça regulamentada geraria receita em vez de custo, podendo financiar ações em prol da biodiversidade local. Estudos mostram que pode reduzir a população em 15–25% ao ano. Além disso, criaria emprego rural e infraestrutura (significativo benefício social).

Essa comparação é clara: o plano atual do governo fracassará em escala. É custo perpétuo para resultado fugaz. Em contrapartida, a caça regulamentada inverte a equação: cria incentivos, receita e redução populacional progressiva e duradoura.

Importância da participação comunitária e indígena

Um erro recorrente seria decidir pela sobrevivência (ou morte) dos búfalos sem ouvir quem vive lá. As comunidades indígenas e tradicionais em Rondônia têm direitos assegurados nas reservas e vivem no meio dessa crise. Sem envolvê-las, qualquer solução tende a falhar sistematicamente. Modelos internacionais repetidamente mostram isso: onde as populações locais têm poder de gestão (Namíbia, Zimbábue), os resultados são significativamente melhores. Um morador que recebe parte da renda quer ver o plano prosperando. Um morador ignorado, no máximo reclama.

Portanto, é crucial prever repasse de receitas e empregos diretamente às comunidades. Por exemplo, boa parte da receita bruta da caça pode ir para aldeias, financiando serviços básicos essenciais. Sistemas transparentes de repasse e fiscalização forte (drones, câmeras nas trilhas, GPS em caçadas, etc) devem ser exigidos desde o começo. Nesse modelo, o índio deixa de ser espectador e vira guardião – exatamente como no programa CAMPFIRE no Zimbábue, que transformou aldeões em guardas da fauna.

É importante destacar que especialistas locais (como a UNIR e o MPF) já atuam no caso. O MPF, por exemplo, já pressionou com decisão judicial para que governo apresente cronograma e plano de ação em prazo curto. Isso significa que a hora de inovar é agora: há mandato legal para uma solução efetiva.

Proposta integrada e faseada de solução para o Brasil

Considerando tudo quanto foi analisado, a saída mais viável é um programa faseado e integrado, aproveitando a oportunidade judicial. Uma sequência lógica seria:

  • Curto prazo (6-12 meses): suspender o abate piloto e formar uma comissão técnica multi-institucional (ICMBio, UNIR, MPF, governo estadual e lideranças indígenas). Essa comissão deve avaliar de forma independente a viabilidade da caça regulamentada frente ao simples abate. Consultar especialistas internacionais (Namíbia, Zimbábue, veterinários cinegéticos) também poderá fazer parte do plano, para orientar os próximos passos.
  • Médio prazo (1-2 anos): criar um marco legal estadual que autorize o manejo cinegético dos búfalos. Por exemplo, é possível adaptar a Instrução Normativa do javali (IBAMA 3/2013) para o contexto local. Nessa lei complementar, defina cotas mínimas anuais baseadas em estudos populacionais e assegure repasse de pelo menos 50% da receita às comunidades. Paralelamente, estabeleça um sistema rígido de fiscalização: drones sobrevoando as reservas, câmeras em trilhas, relatórios obrigatórios de caçadas (com fotos e GPS), e multas para quem causar danos ao meio-ambiente local.
  • Longo prazo (3+ anos): implantar a caça sustentável de fato. Com o abate de 100-200 animais por ano e foco em machos e fêmeas adultas, espera-se reduzir gradualmente o rebanho ao longo dos anos. Os milhões de dólares anuais arrecadados sustentariam pesquisas, proteção de habitat e serviços comunitários. Esse esquema serviria ainda de piloto federal: a experiência de Rondônia poderia gerar um protocolo nacional para manejo de invasoras e nocivas (um precedente valioso para futuros casos, como capivaras ou até jacarés, por exemplo).

Essa abordagem integrada transforma o problema em oportunidade: Rondônia seria referência no Brasil e até na América Latina, mostrando que dá para aprender com quem deu certo no mundo. É uma chance de aliar conservação e desenvolvimento, em vez de insistir em soluções fracassadas.

Calibres recomendados para a caça de búfalos

Falar de caça regulada também traz a questão técnica das armas. Os búfalos são animais de grande porte e potencialmente perigosos. Na prática internacional, recomenda-se usar calibres poderosos de Big Game. Não é exagero: são animais com couro grosso e testa resistente.

  • .375 H&H Magnum é considerado o mínimo indispensável para caça de búfalo. Ele dispara projéteis de 300 a 350 grains a velocidades altas, garantindo penetração suficiente. Com esse calibre, muitos caçadores abatem búfalos com eficiência- inclusive por ser o único permitido legalmente em alguns safáris Africanos.
  • Para quem quer mais potência, o .416 Rigby (ou variantes como .416 Remington) é clássico no continente africano. Ele carrega projéteis de 380-400 grains com muito mais energia, perfeito para animais maiores. Oferece recuo forte, mas aumenta a margem de segurança em tiros não perfeitos.
  • .458 Winchester Magnum ou .458 Lott são calibres “super pentes” de 500 grains de projétil. Esses são usados em caças de risco máximo. Asseguram que o animal pare, mesmo ferido (mal atirado). Porém, têm recuo muito forte, exigem atirador experiente. São escolhidos principalmente por guias de caça que insistem no máximo poder em cada disparo.

Em suma, búfalos não são alvo para os calibres conhecidos e utilizados no Brasil. Consequentemente, recomenda-se calibres como .375 H&H.416 Rigby ou .458 Win Mag, com projéteis de tungstênio ou aço, para máxima eficácia. Esses calibres atingem o alvo com muita energia, reduzindo sofrimento e risco de ferimentos não letais para o animal. Na prática, em Rondônia seria preciso importar ou licenciar armamentos adequados.

Conclusão: hora de agir e envolver todo mundo

O problema dos búfalos de Rondônia (Amazônia) não é novo, mas cresce exponencialmente a cada dia. O modelo atual (abater 500 búfalos do rebanho) é, por definição, ineficaz. Cristiano Furtado resume bem: estamos olhando para um diamante em bruto de oportunidade perdida, gastando milhões sem retorno. As evidências do mundo são claras: quando bem conduzida, a caça regulamentada financia a conservação e traz benefícios às comunidades. O Brasil já tem base legal (exemplo do javali) e técnicos qualificados.

O verdadeiro risco não é tentar a caça controlada – desde que seja com fiscalização dura e ciência – mas não tentar nada além de abates esporádicos. Seguir com o atual vai duplicar os búfalos enquanto bilhões somem sem solução viável. Rondônia pode virar exemplo brasileiro de manejo de espécies invasoras – desde que haja coragem para desafiar velhos paradigmas ambientais.

Se você leu até aqui, sabe o que está em jogo. Compartilhe este texto e comente – só assim a população e as autoridades entenderão de vez como realmente enfrentar esse problema. Juntos, podemos transformar esse desastre em um caso de sucesso nacional!

Saty Jardim:

Prestador de serviços credenciado no Exército Brasileiro sob Nº 000.116.553-48. Praticante da pesca, caça e do tiro desportivo, que aprendeu na prática os procedimentos legais para compra e registro de armas de fogo, requisição de CR e outros procedimentos junto ao Exército, Polícia Federal, IBAMA e SAP/MAPA.

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